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PREFÁCIO À MONOGRAFIA SOBRE "SERIAL KILLERS", DE LUCIA POZZI, VÁRZEA GRANDE/MT, 2005

      

                               PREFÁCIO À MONOGRAFIA SOBRE SERIAL KILLERS REALIZADA POR LUCIA POZZI, DE VÁRZEA GRANDE-MT (2005)

   

        Desde logo, que fique claro, o que me interessou no trabalho de pesquisa de Lucia Itati Raide Pozzi, foi entender como ficaria no papel, a síntese da curiosidade intelectual com a sensibilidade humana, ambas, características por ela demonstradas. Qual seria, pois, o produto desta simbiose. Já faz meses, recebi um seu email solicitando-me, com refinada elegância, a possibilidade de prefaciar-lhe um trabalho monográfico sobre “A Imputabilidade penal dos serial killers”. Aludi à premência de meu tempo, ao mesmo instante em que acenei com a possibilidade de fazê-lo, se o elemento temporal fosse distensível, já que o elemento espacial seria vencível pela facilidade dos emails. À sua anuência, seguiu-se o envio dos originais, e não me quedei supreso: a alma sensível, refletia-se no esmero de sua pesquisa, operando-se a síntese dialética que faz com que o mundo se mova transportado em duas rodas, trabalho e amor ou razão e sensibilidade.

       É verdade, não é uma dissertação de mestrado; também não se propunha a isso. É um trabalho monográfico de conclusão de curso, porém, nele estão todos os predicados inerentes a uma boa investigação científica, já que revelam metodologia apropriada, uma adequada imersão no tema e, muito, bastante, labor intelectual. Isto o faz meritório, tanto quanto posso dizer, por revelar algo que muitas dissertações de mestrado escondem, umas por não o saberem, outras por não o terem: método, fadiga, pesquisa. Aí, pois, o trinômio onde se hospeda qualquer boa investigação do gênero, como esta revelada por sua autora.

               Sua inquietação intelectual guiou-a às sinuosas linhas do tema dos serial-killers. Assim, o quanto possível, procurou decodificar-lhes o conceito criminológico, retratando-lhes o perfil psicológico-psiquiátrico; depois, depurou-os com expressiva casuística, colhendo exemplos havidos no cenário nacional, contextualizando-os na perspectiva internacional. Passou-os em revista com a análise do direito positivo brasileiro, e na esteira por mim defendida –mostra-se a clara influência deste prefaciante em sua obra- acusa a insuficiência de nosso direito hodierno para dar uma resposta adequada à questão, pela peculiaridade do tema. Sua análise, pois, é uma trincheira a mais que se coloca contra o ataque dos conformistas e recitadores; seu trabalho, convida à reflexão e à mudança, mais que à fastidiosa repetição.

             Minha possível influência sobre seu tema, não me faz suspeito em apresentar sua monografia: a uma, pois houve apenas um encontro de ideais, entre o colega mais velho, e aquela que se inicia, uma sorte de identificação, mais que de convencimento; a duas, porquê seu trabalho merece os encômios de qualquer leitor, independente da existência ou não de um prefácio. Este, a rigor, totalmente dispensável.

           Uma das últimas obras (2.003) de Stephane Bourgoin –especialista na matéria-, na França, traz em seu título: “Les serial killers sont parmi nous”, os serial-killers estão no meio de nós...É verdade, mascaram-se frequentemente, até que suas ações se revelem em episódios trágicos. É por isso que, consciente de que o fenômeno tende a crescer, vejo com grande alegria o aparecimento de novos pesquisadores, jovens que se entusiasmam conosco de continuarem perquirindo e fomentando o debate sobre o tema, buscando soluções.

           À Faculdade de Direito de Várzea Grande-MT, meus cumprimentos. O trabalho de seus alunos revela o ofício grandioso de seus mestres. À Lucia Pozzi, parabéns! Que o tempo que me faltou para enviar-lhe antes estes cumprimentos, seja o que lhe sobrará, à frente, para colher os merecidos elogios por sua bela monografia.

                                      Edilson Mougenot Bonfim